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Escriar #61

Fato de oleado transparente. Mulher deslumbrante que o carrega. Chovia, muito, mas chovia bem, a chuva não deturpava a visão de quem quisesse olhar tão belo cenário. Cada gota que batia no oleado fazia um som, no fim saia a mais bela melodia, uma melodia que nunca pediu para ser tocada. Ela movia-se como nada fosse, segura por uma rua, onde só estava eu e ela. O Oleado estava bem colado ao corpo dela. Carros passavam ao longe, e faziam sobressair formas, que me deixavam quente. A chuva já nem batia em mim, evaporava uns centímetros antes de me tocar.  Da cara dela, só lhe via a boca, um sorriso daqueles que nos acende, sem precisar de chama. O salto alto na calçada competia com o barulho da chuva. E ali estava eu,  até que me decidi aproximar…  Era só uma tenda de campismo. Merda da chuva, que já me faz ver o que não existe. 

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