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Não te Limites.

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Faço anos. Apetece-me escrever mas não sei o quê, tanta coisa  que entra e sai da minha cabeça que me deixa confuso mas cá vai uma tentativa. Hoje estou mais do que os outros dias. Apesar de não me saber definir, estou mais.  Vou deixar um conjunto de pensamentos que tive ontem acordado, hoje enquanto dormia e hoje enquanto escrevo este texto. Não fazem sentido, pensei neles, e são válidos como meus. 

 Traio o mundo de cada vez que acordo. 

Será que a espera vale de alguma coisa, se soubermos de antemão que não vale a pena esperar ?

Murmúrio de uma alma que vagueia dentro do teu corpo. Ela diz, que quem me acode. Ninguém a ouve.

O espaço entre duas ondas é maior que a distância que vai entre os nossos corações.

Esperei tanto por ti, que me esqueci de mim. Esperei tanto de ti, e tão pouco de mim.

Os precipícios só fazem sentido serem admirados, quando já viste tudo o resto.Aí sim, podes dizer que viste tudo e nada mais importa. Até lá, volta para trás e vive a vida.

Por vezes, interesso-me demasiado no desinteresse das outras pessoas.

Ainda sinto réplicas de que cada vez que passas por mim.

Pensamentos escuros numa sala iluminada. Indiferente ao sentir. Não sou dono de mim. Nunca fui. Dou guarida à solidão. Abandonei a alegria. Assim vivo, assim me amoleço e me preparo para a morte. Preferia que existisse Deus, ele/a saberia o que fazer. Se não fui ninguém, porque é que eu ambiciono sê-lo neste momento ? A minha inteligência está demasiado estreita, não compreendo nada do que me rodeia.Podia ter sido tanta gente, escolhi não ser eu. Pensamentos virgens que não percebo, mas que acaricio. A minha ignorância parece uma planície, plana, infinita, igual a tantas outras. 

Quero, mas não posso, pelo menos agora. Quis ser tudo, no entanto acabei por ser coisa nenhuma. Louco sim, mas com razão. Só ela me liberta da dor. Nunca lhe faltarei nada, ela nunca me negou nada. A sorte está com incerteza no seu futuro. Também estaria, ela sabe como eu , que é efémera. Esperança translúcida que me deixa ver o que vem a seguir, ainda assim com medo, fecho os olhos.   Temo tanto o mundo vadio, como ele me teme a mim. Somos amigos por necessidade.   Não temo o desafio, ele que me tema, vou rasga-lo em dois.   

Criei-me para desdenhar. Tristezas que já tive, vieram para me levar. Eu não quero. Não agora. Esperam mais um pouco. Alegrem-se. Sou tão límpido que até se vê os corais no meu fundo.  O que tu nunca irás sonhar, os outros vão-te tomar. É por isso que sonho tanto. Quero os sonhos todos para mim.

Criei-vos para desdenhar, diria o criador se existisse.

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