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Vidas inexistentes #2

Peixoto, senhor com 49 anos, parco em palavras, gosta de ir aos bailaricos no domingo, para manter bem oleada a arte do engate. Peixoto era uma figura baixa, não era anão por poucos centímetros, tinha um cabelo que já teve melhores dias, ele afirmava com orgulho numa das poucas coisas com piada que dizia, que era um careca cabeludo. Calçava sempre sapatos castanhos, camisa aos quadrados, sempre com dois botões desabotoados a ver-se os pêlos do peito. Peixoto dizia que as mulheres não resistiam ao seu charme. Estranhamente não se conheciam mulheres na vida de Peixoto. Peixoto trabalhara a vida toda numa churrascaria, ao qual se especializou na assadura de frangos.  Gaba-se à boca cheia, que ninguém conhecia tão bem um frango como ele. O fumo que emanava do churrasco já se tinha tornado à muitos anos, o perfume de eleição. Peixoto tinha algo que o atormentava, nunca conhecera o pai. À poucos anos atrás, disseram-lhe por uma carta anónima, em que lá tinha também uma moela, que o seu pai era o Poupas. Desde então, que vira os episódios da Rua Sésamo na esperança que Poupas, seu pai, se tivesse descaído nalgum episódio, e revela-se que tinha um filho chamado Peixoto. Na churrascaria onde trabalhava só passava rua Sesámo na televisão, à noite quando era vencido pela tristeza só via programas de caça. Peixoto era uma pessoa diferente, e acima de tudo era vegetariano. Era o alvo de chacota predilecto na churrascaria Entre todos. Tinha como patrão o senhor Zé.  Senhor por parte do pai, Zé por parte da mãe.

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