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ESCRIAR #69 - BANALIDADES #59

Vou-vos contar o meu dia, não é que seja estupidamente interessante, mas o meu psicólogo, disse para falar mais de mim. Como é das pessoas que mais respeito, vou falar de tudo menos de mim. Acho que era isso que ele queria dizer,fala-me em código, não percebo, parece que estava a roncar da última vez que falei com ele. Agora que penso nisso acho que estava a dormir.  É tudo produto da minha imaginação. Tenho uma imaginação tão fértil como aquelas adolescentes que engravidam aos 13 anos, só não tenho é vagina.

Acho que perdi as poucas pessoas que me seguiam e aos meus textos, das  duas uma, ou já não vos estimulo intelectualmente, porque é a única coisa que sentem estimulada, e querem esconder o facto do vosso parceiro andar à procura por Lisboa do vosso Clitóris, ou então ficaram tetraplégicos. Se for a segunda razão não é motivo para tanto, a vida não pára, não parem por favor. Para aqueles que têm uma vida tão interessante que contam os cabelos que ficam na banheira, tenho a dizer que temos uma coisa em comum, uma banheira.

Deixando agora estes raciocínios que estavam demolhados à semanas, vou-vos contar agora o meu dia. Sinto falta de um dia emocionante. Apetecia-me ter um dia à meteorologista, nunca saber o que vai acontecer se é que vai acontecer. Levantei-me, isso pressupõe que estava deitado, perguntam vocês ? Certo, se não for um sem-abrigo, por vezes não dormem deitados. Dessa pergunta  denoto carinho, só me quererem bem e alguma arrogância, por pensarem que sabem tudo. Vamos dosear a arrogância que ela tem que durar até ao final do ano, está bem ?  Primeiro que tudo, vou fazer um enquadramento, antes de me levantar, estava a dormir, e enquanto estava a dormir não estava acordado. Não se choquem já. Durante o tempo que estive a repousar a minha beleza, que continuou a dormir após ter acordado, sonhei. Só tenho sonhos estranhos, tão estranhos que estes textos parecem meninos de coro que se aperceberam pela primeira vez que a pilinha é uma arma nas mãos certas. O mal dos sonhos é que parece que acaba sempre na melhor parte, a pergunta que coloco a quem tratar dos sonhos, espero que não seja num departamento público senão já sei que não dá em nada, será que os sonhos sofrem de ejaculação precoce ? Nos sonhos, só nos lembramos de coisas aos pedaços e sem ligação, como no outro dia, sonhei com uma congeladora cheia de pedaços de uma velhota, e um pinguim com uma moto-serra em punho e a chorar. Como é que isto é possível ? Como é que um pinguim agarra numa moto-serra? A última coisa que me lembro do sonho é estar num bar de alterne com o pinguim e uma perna de velhota. E pronto, voltamos ao início, à parte do acordar. Acordei no mundo real, mas no meu mundo, onde é possível um indivíduo de raça negra partilhar casa com o presidente do PNR. Se calhar tenho sonhos mais coerentes e com mais sentido, ainda não pensei muito no assunto. Já pensaram que um skinned não é mais nem menos que um monge budista citadino?

Até tinha mais para falar porque sou tipo um cão,os meus dias valem mais que os vossos. Mas o resto é a vida habitual de um chulo que vê a sua matéria-prima desvalorizar a cada dia que passa. Uma vida de tédio e penúria, tal como a religião ilustra. Valha-nos a saudinha diz um acamado, lá ao fundo. Sábias palavras.

Vou-me despedir com um sapateado de sapateiras, que só andam calçadas para este propósito, porque quando estão na água não dá jeito, os sapatos são de camurça…

Um beijo infinito, para que possa durar até ao próximo banalidades. Nunca tinha dito isto, mas amo-vos.

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